odontologistas.

Odontopediatria

Técnicas para adaptação do comportamento infantil no consultório

No processo de interação entre dentistas e paciente, a comunicação é fundamental. Sem uma comunicação adequada, pouco se pode conseguir da criança em termos de cooperação e aceitação ao tratamento odontológico. O quatro elementos essenciais para haver uma boa comunicação são (TOLEDO, 2012):

Emissor (dentista).

Mensagem, incluindo a expressão fácial e a linguagem corporal do emissor.

Contexto ou ajuste no qual a mensagem é emitida.

Receptor (criança).

Para que uma comunicação seja bem sucedida é preciso que esses quatro elementos sejam verdadeiros e consistentes, para que a mensagem que se pretenda passar não se diferencie do que é compreendido. A troca da informação em duas vias favorece o manejo do comportamento em uma via de comandos. Essa interação é chamada de “pedidos e promessas”. O medo pode ser classificado como direto (profissional dentista), indireto (profissional saúde) e subjetivo (medo criado sem experiencia negativa anterior) e a ansiedade como um receio de algo que ainda não aconteceu, já a frustração é um sentimento de impotência por algo que fez, que deu errado ou que ainda não conseguiu fazer.

Comunicação Não Verbal

A expressão facial e a linguagem corporal devem ser condizentes com a mensagem deste. Quando a linguagem corporal do profissional leva à incerteza, à ansiedade, ou à urgência, ele não irá conseguir transmitir confiança em suas habilidades clínicas. O tripé da comunicação não verbal baseia-se nas seguintes mensagens que o profissional deve transmitir as crianças:

Paciente visto como um indivíduo que terá suas necessidades atendidas.

Profissional completamente preparado e altamente qualificado.

Profissional é capaz de ajudar e não fará nada para ferí-lo.

Diga-Mostre-Faça (dizer-mostrar-fazer)

Deve ser usada em crianças acima de 2 anos de idade, que já possuam capacidade de compreensão e colaboração. O profissional se apresenta e conduz à criança a cadeira odontológica, mostra que a cadeira sobe e desce e qual a finalidade desses movimentos. A seguir o profissional pode fazer a apresentação da luz e das seringas de ar e água. Passa-se então a apresentar os instrumentais clínicos, como o espelho, a sonda exploradora e pinça clínica. O objetivo é estabelecer um ótimo relacionamento na consulta inicial, mostrar a criança que ela tem o controle da situação e sinalizar ao profissional com a mão quando se sentir incomodada. Desta forma pode-se construir uma relação de confiança que possibilita a cooperação da criança, ao invés de fazê-la se sentir prisioneira podendo causar uma revolta.

Tratamento Postergado

Pode-se considerar o adiamento ou retardar do tratamento em casos em que o comportamento do paciente se torna histérico ou incontrolável. O profissional deve explicar os riscos e benefícios de tratamentos adiados ou alternativos e deve obter do pai ou responsável o consentimento informado.

Termo de Consentimento Esclarecido

É um documento escrito do qual o paciente ou o responsável por este declara sua anuência ao tratamento proposto, que deve ser assinado e anexado ao prontuário do paciente.

Controle de Voz

É uma alteração no tom ou do ritmo da voz para influenciar e dirigir o comportamento do paciente, com os objetivos:

Ganhar a atenção e a cooperação do paciente.

Prevenir o comportamento negativo ou a recusa da criança.

Estabelecer papeis apropriados na relação adulto-criança.

Fator Tempo

A duração do tratamento tem que ser preferencialmente curta para que não influencie o comportamento da criança. Tem-se preconizado que a duração do atendimento seja curta, limitadas entre 30 e 60 minutos.

Distração

É uma forma de desviar a atenção do paciente para que não seja percebido um procedimento desagradável, com o objetivo de:

Diminuir a percepção dos estímulos desagradáveis.

Evitar o comportamento negativo e de recusa.

Como exemplo podem ser utilizados projeções de filmes em DVD, reprodução da imagem da criança durante o atendimento.

Reforço Positivo

É uma técnica eficaz ao recompensar comportamentos desejados e fortalecer o retorno desses comportamentos. O reforço positivo é concedido a criança quando o dentista consegue realizar o objetivo previamente estabelecido. Pode ser verbal ou social, prêmios simbólicos (diplomas), adesivos e pequenos brindes.

Presença/Ausência Materna

A presença da mãe pode ser usada para se obter cooperação da criança durante o tratamento, porém existem alguns fatores que podem prejudicar, como o desvio da atenção da criança, pode atrapalhar os procedimento, interferência no entrosamento do dentista com a criança, contudo pode transmitir segurança a criança e fortalecer o vínculo. Os objetivos da presença/ausência materna pode ser resumidos:

Ganhar a atenção e melhorar a colaboração.

Evitar comportamento negativo ou de recusa

Estabelecer papéis apropriados na relação dentista-criança

Minimizar a ansiedade e conseguir uma experiência positiva

Técnicas de Manejo Aversivas

As técnicas aversivas devem ser evitadas, inclusive em pacientes com necessidade especiais, pois irá vivenciar o fato como uma agressão, ocasionando o medo e no futuro fazendo com que a criança evite o dentista. Como exemplo, existe a técnica da mão sobre a boca, que já foi amplamente ensinada em faculdades de Odontologia, em que o dentista fala baixinho e calmamente no ouvido da criança: “ fique calma, eu só quero conversar com você”, ao mesmo tempo em que amordaça a boca da criança com as mãos.

Estabilização Protetora e Contenção Física

As contenções podem ser realizadas com a ajuda dos pais e/ou auxiliares odontológicos. Deve oferecer segurança, com tempo limitado e jamais ser punitiva.

Referências

TOLEDO, O. A. Odontopediatria: fundamentos para a prática clínica. São Paulo: 4 Ed, Editora Medbook, 2012.

ODONTO QUIZ

Teste seus conhecimentos

Pergunta 1 de 5Fácil

Segundo o artigo, com base em Toledo (2012), quais são os quatro elementos essenciais para haver uma boa comunicação entre o dentista e a criança?

Este artigo foi útil?

LINKS DE AFILIADO

Produtos para Odontopediatria

TEMAS DESTE ARTIGO

ABNT NBR 6023

Como citar este artigo

ODONTOLOGISTAS. Técnicas para adaptação do comportamento infantil no consultório. Odontologistas, 24 set. 2017. Disponível em: https://odontologistas.com.br/tecnicas-para-adaptacao-do-comportamento-infantil-no-consultorio/. Acesso em: 15 out. 2026.

SOBRE A AUTORIA

odontologistas

Ver artigos deste autor ↗

Continue a leitura

Conteúdos relacionados