A biomecânica utiliza ferramentas e métodos da engenharia para resolver problemas matemáticos e compreender sua relação entre estruturas e funções. Em PPR, a biomecânica leva em consideração a forma como os esforços mecânicos são transmitidos e recebidos pelos tecidos biológicos (dente e fibromucosa). No planejamento de PPR, alguns conceitos biomecânicos devem ser considerados para evitar fatores como formação de alavancas em torno do fulcro, planos inclinados, contatos oclusais prematuros nos dentes de suporte e reabsorção óssea no rebordo residual, fatores esses que podem ser desfavoráveis ao sucesso do tratamento.

Para conseguir que a prótese se mantenha na boca do paciente sem se deslocar, estável, retida e sem alterações patológicas há necessidade que os componentes do aparelho, elementos mecânicos estabeleçam uma ligação com os dentes que vão suporta-lo. E é através dos retentores (grampos, encaixes, apoios e selas), que esta poderá ser obtida (KLIEMANN et. al., 1999).

Para o planejamento de uma prótese parcial removível classe I, como exemplo de uma reabilitação em uma arcada, a área oclusal deve ser reduzida para diminuir a carga oclusal total, a base da prótese deve ser ampla e precisa para melhorar a distribuição das cargas  o apoio oclusal deve estar localizado na face mesial dos elementos mais posteriores com o objetivo de transferir o ponto de rotação (ENADE 2004).

Princípios básicos de Roach

RETENÇÃO

O princípio de retenção é caracterizado pela resistência da prótese ao deslocamento no sentido gengivo-oclusal. Os principais fatores que atuam no sentido desse deslocamento são a força da gravidade, a ação muscular, a mastigação de alimentos pegajosos, a deglutição e a fonação.

Os elementos responsáveis pela retenção mecânica de uma PPR podem ser retentores diretos ou indiretos, quando próximos ou distantes do espaço protético, respectivamente. Nesse sentido, o grampo de retenção com sua ponta ativa flexível (braço de retenção) é o responsável pela retenção direta quando se encontra adjacente a espaços edêntulos. Já o retentor indireto corresponde a um componente de estrutura metálica que é posicionado no dente mais distante possível da linha de fulcro (apoio) imaginária que passa pelos retentores diretos principais. Esses elementos têm como função principal melhorar a estabilidade da PPR, além de serem capazes de aprimorar o suporte e a retenção da mesma. Dependendo da necessidade do caso, o retentor indireto pode ser representado por um apoio oclusal, por retentores ou pelos conectores maiores mandibulares, como a placa lingual.

FIXAÇÃO OU SUPORTE

O princípio de suporte refere-se à propriedade da PPR de resistir ao deslocamento vertical no sentido ocluso-gengival. Os apoios oclusais são os principais elementos que conferem o suporte necessário para impedir o deslocamento da PPR durante a mastigação de alimentos consistentes.

Para que os apoios oclusais possam proporcionar à PPR desempenho biomecânico favorável, devem ser confeccionados com forma e contorno adequados a fim de garantir que a transmissão de forças seja paralela ao longo eixo dos dentes pilares. Desta forma, os nichos ou descansos oclusais devem ser confeccionados de forma a evitar o surgimento de planos inclinados e contatos prematuros.

ESTABILIDADE

O princípio de estabilidade refere-se à resistência da PPR às forças no sentido horizontal. Todos os elementos rígidos constituintes da PPR podem auxiliar na estabilidade, bem como o número, o grau de mobilidade e a distribuição dos dentes remanescentes na arcada, a qualidade, a quantidade e o tipo de rebordo residual, o grau de resiliência da fibromucosa e, ainda, a relação interoclusal dos dentes artificiais e da sela com a musculatura paraprotética.

RECIPROCIDADE

É  a oposição a forças horizontais exercidas sobre os dentes retentores da PPR, o elemento responsável é o braço de oposição ou reciprocidade.

 

Referências

 

CARREIRO, Adriana da Fonte Porto; Batista, André Ulisses Dantas. Prótese Parcial Removível Contemporânea. Editora Santos. 1ª Edição. 2014.

KLIEMANN, Claudio; Oliveira, Wagner. Manual de Prótese Dentária. Livraria editora Santos, 1ª Edição, 1999