A classificar
Princípios Cirúrgicos
A terapia cirúrgica pode ser considerada um adjuvante para a terapia relacionada a causa. A meta é criar um ambiente bucal favorável para a manutenção da dentição do paciente num estado saudável, confortável e funcional estético e, quando possível, gerar e preservar a inserção periodontal. Desta forma o principal objetivo da cirurgia periodontal é contribuir em longo prazo, para a manutenção periodontal facilitando a remoção de placa e controle da infecção e pode atender a esses propósitos das seguinte maneira:
Criar um acesso para uma adequada raspagem e alisamento radicular.
Estabelecer uma morfologia gengival que facilite o controle da placa e da infecção.
Além disso, a cirurgia periodontal pode auxiliar na regeneração da inserção periodontal perdida pela doença destrutiva. Através do tratamento periodontal realizado pelo profissional, a dentição é preparada para que o paciente realize o controle da placa de forma efetiva. Ao final do tratamento, os seguintes objetivos devem ser alcançados:
Ausência de depósitos supra- ou subgengivais.
Ausência de bolsa com sinais da doença (ausência de sangramento à sondagem).
Ausência de deformidades na morfologia gengival que possam reter placa.
Ausência de restaurações deficientes que auxiliem no acúmulo de placa junto a margem gengival.
Esses requisitos conduzem às seguinte indicações para cirurgia periodontal:
Acesso adequado para raspagem e alisamento radicular.
Estabelecimento de uma morfologia favorável da região dentogengival que favoreça o controle de placa
Redução da profundidade de bolsa.
Correção de deformidades gengivais.
Mudança da margem gengival para uma posição mais apical em restaurações com término subgengival.
Facilitar a terapia restauradora apropriada.
Indicações para a cirurgia periodontal:
Acesso as raízes e defeitos ósseos
Cirurgia ressectiva
Regeneração do periodonto
Cirurgia pré-protética
Aumento de Coroa
Aumento Gengival
Aumento de Rebordo
Redução de Tórus
Vestibuloplastia
Cirurgia plástica periodontal
Contra-indicações para a cirurgia periodontal:
Cooperação do paciente: responsabilidade do paciente em manter uma boa higiene oral em longo prazo. Pacientes que não podem manter satisfatoriamente a higiene oral durante o período pós operatório normalmente não devem ser candidatos para a cirurgia periodontal
Doença Cardiovascular:
Hipertensão arterial: Não impede a cirurgia periodontal, porém deve ser avaliada reações prévias à anestesia local e cuidados com a anestesia para evitar injeção intravascular.
Angila Pectoris: Não impede a cirurgia periodontal, porém devem ser tomadas precauções contra a injeção intravascular.
Infarto do Miorcárdio: Não devem ser submetidos a cirurgia periodontal nos 6 meses seguintes após a internação hospitalar e após esse período, somente em cooperação com o médico responsável pelo paciente.
Tratamento com Anticoagulantes: Implica um riso maior de sangramento. A cirurgia pode ser programada após a consulta com o médico do paciente para determinar se alguma modificação da terapia anticoagulante é indicada.
Transplante de Órgão: São utilizados medicamentos para prevenir a rejeição do implante, como a Cliclosporina (potente droga imunossupressora). Recomenda-se o uso de profilaxia antibiótica para pacientes transplantados que fazem uso de drogas imunossupressoras, além disso o médico do paciente deve ser consultado antes de iniciar qualquer terapia periodontal.
Discrasias sanguíneas: Pacientes portadores de leucemia aguda, agranulocitose e linfogranulomatose e anemias não poderão ser submetidos à cirurgia periodontal.
Distúrbios hormonais
Diabetes Mellitus: baixa resistência a infecção e processo de cicatrização atrasado e pré-disposição a arteriosclerose. Pacientes controlados poderão ser submetidos a cirurgia.
Tabagismo: Não impede a cirurgia periodontal, porém poderá ser observada menor redução na profundidade de bolsa e nível de inserção em relação aos pacientes não fumantes.
As técnicas cirúrgicas devem ser avaliadas considerando o fato de poderem facilitar a remoção dos depósitos subgengivais, o controle da placa pelo paciente e, assim, aumentar a preservação do periodonto a longo prazo. A decisão sobre o tipo de cirurgia periodontal a ser empregada e quantos sítios devem ser incluídos, é feita após a avaliação da resposta à fase inicial da terapia relacionada a causa e pode levar de 1 a 6 meses.
As vantagens da cirurgia após a terapia relacionada a causa são:
A remoção do cálculo e da placa pode eliminar ou reduzir consideravelmente o infiltrado de células inflamatórios na gengiva (edema, hiperemia, flacidez tecidual), possibilitando determinar um contorno gengival e a profundidade de bolsa de modo mais real.
A redução da inflamação gengival torna os tecidos mais fibrosos e firmes facilitando a manipulação cirúrgica dos tecidos moles. O sangramento fica reduzido e facilita a visualização do campo cirúrgico.
Estabelece melhores condições para uma correta avaliação do prognóstico.
As técnicas cirúrgicas para o tratamento da bolsa periodontal foram descritas como meio de ganhar acesso às superfícies radiculares acometidas pela doença. Deve ser levado em consideração a quantidade de gengiva inserida. Nos casos de pequena quantidade de gengiva inserida deve-se optar pelo tipo incisão intra-sulcular e com boa quantidade de gengiva inserida, incisões com bisel interno (invertido) e externo. Para cada área cirúrgica, diferentes técnicas são frequentemente utilizadas para os objetivos da fase cirúrgica sejam atendidos. Como regra geral, deve-se preferir as modalidades de terapia cirúrgica que preservem ou induzam a formação de tecido periodontal, e não aquelas ressectivas que eliminem tecido.
Limites Anatômicos Locais e Circunvizinhos
Tipo e localização do defeito periodontal
Lesão extensa em direção apical pode resultar em recessão e/ou perda de papila.
Comprimento do tronco radicular em relação ao fórnix da furca
Proximidade radicular entre os dentes
Grau de divergência entre as raízes de dentes mutirradiculares
Formato do defeito ósseo
Presença de Fenestração ou deiscência do tecido ósseo
Condições Clínica e Anatômicas dos Tecidos
Quantidade de gengiva inserida
Inserção de freios e bridas
Consistência e aspecto superficial dos tecidos
Altura do vestíbulo
Bolsas periodontais
Abertura de boca
Análise do paciente cirúrgico
Grau de higienização do paciente
Idade
Estado Geral de Saúde
Condições Hormonais transitórias
Exames que antecedem a cirurgia periodontal
Hemograma: informações sobre as células do sangue, como leucócitos, plaquetas e hemácias
Coagulograma: Avaliação da hemostasia, tempo de sangramento, conjunto de fenômenos que ocorrem nos tecidos(vasos), nas células sanguíneas (plaquetas) e no plasma (proteínas), objetivando bloquear a perda de sangue após a lesão vascular.
Glicemia em Jejum: analisa a taxa de glicose do sangue, possível diagnóstico de diabetes
Uréia e Creatinina: verificar se há insuficiência renal que pode ser provocada por inúmeras doenças, como hipertensão e diabetes.
Sumário de Urina: pode demonstrar inúmeras manifestações de doenças sistêmicas.
Protocolo Farmacológico
O operador deve se preocupar com três aspectos decorrentes ou relacionados com a intervenção:
Controlar a dor trans e pós operatória
Prevenir uma possível infecção
Possível sedação para minimizar o estresse cirúrgico
A Incisão deve compreender:
Visualização do campo operatório
Versatilidade na amplitude
Apoio do traçado em tecido ósseo sadio
Corte firme e contínuo
Planejamento das incisões
Lâminas, bisturis elétricos, instrumentais cortantes, laser.
Crista Alveolar
Boa quantidade de mucosa queratinizada
Tecido rebatido em porções equivalentes
Facilita deslocamento do retalho
Deslocada para lingual
Permite inserção de mucosa queratinizada por vestibular permitindo recobrimento dos implantes.
Deslocada para Vestibular
Boa visualização do campo e cobertura dos implantes
Tecido Mole das Bolsas
Dependendo da técnica cirúrgica empregada, o retalho deve ser reposicionado apicalmente ao nível da crista óssea (retalho original de Widman, retalho de Neumann e retalho reposicionado apicalmente) ou mantido em posição coronária (Retalho de Kirkland, retalho modificado de Widman e retalho com preservação de papila) no final da intervenção cirúrgica. A manutenção da altura pré-cirúrgica do tecido mole é de importância do ponto de vista estético, particularmente na região anterior, contudo a diferença apresentado no posicionamento final da margem gengival é atribuído ao recontorno ósseo (Townsend-Olsen et al., 1985;Lindeh et al., 1987;Kaldahl et al., 1996; Becker et al., 2001). Independente da posição do retalho, o objetivo deve ser a proteção completa do osso alveolar por tecido mole nas faces vestibulares, linguais e proximais. O contorno gengival é dependente estritamente do contorno ósseo, assim como da proximidade e anatomia das superfícies dentárias adjacentes. A eliminação de bolsas de tecido mole frequentemente está associada a um recontorno ósseo e eliminação de crateras e defeitos ósseos angulares, para estabelecer e manter bolsas rasas e um contorno gengival ótimo após a cirurgia.
Tecido Duro das Bolsas
Durante a cirurgia periodontal convencional, o profissional normalmente opta por transformar um defeito infra-ósseo em um defeito supra-ósseo, o qual seria eliminado posteriormente, pelo reposicionamento apical do retalho. A osteoplastia tem a finalidade de criar uma forma fisiológica do osso alveolar sem remover osso de “suporte”, é uma técnica análoga a gengivoplastia. É utilizado no refinamento de bordas ósseas espessas e o estabelecimento de um contorno festonado da crista óssea vestibular, lingual ou palatina. Quando ocorre redução de osso que não tenha função de suporte pode facilitar a adaptação do retalho, reduzindo assim o risco de exposição óssea e de necrose devido a margens do retalho deficientes. Na osteotomia, o osso de suporte, envolvido diretamente na fixação do dente, é removido para remodelar defeitos ósseos marginal e interdental causados pela periodontite e é considerada importante para a eliminação das bolsas periodontais. Desta forma o objetivo da cirurgia óssea é restabelecer uma anatomia fisiológica do osso alveolar, mas a nível apical. As indicações para cirurgia óssea com reposicionamento apical do retalho podem incluir cáries subgengivais, perfurações ou fraturas do terço cervical radicular, aumento da área de retenção de prótese fixa (aumento de cirurgia de coroa). O aumento de coroa é realizado através da remoção de uma quantidade significativa de osso de suporte. Para resultados satisfatórios, um “espaço biológico” de aproximadamente 3 mm é necessário entre a crista óssea vestibular e a margem da restauração a ser realizada (Bragger et al., 1992; Herrero et al., 1995; Pontoriero & Carnevale, 2001).
Incisão Intra-Sulcular
Conservadora, abrange a área do sulco gengival/ bolsa periodontal, até chegar à área de união dento-gengival e tecido ósseo, realizada com lâmina de bisturi paralela a superfície dental.
Indicações:
Áreas de comprometimento estético
Áreas com pequena quantidade de gengiva inserida
Contra-Indicações
Áreas em tecidos hiperplásicos
Áreas com epitélio sulcular inflamado
Vantagens
Mínimo Trauma cirúrgico
Pequena recessão gengival pós operatória
Melhor visualização e acesso ao campo operatório
Incisão em Bisel invertido ou interno
Remove tecido, sempre associada à incisão intra-sulcular, realizada com lâmina de bisturi inclinada à superfície dental, no sentido coronário para apical. Indicada em casos de recuperação do espaço biológico. Incisão sulcular, marginal e para-marginal
Indicações:
Áreas com boa quantidade de gengiva inserida
Contra-Indicações
Gengivas delgadas com pequena quantidade de gengiva inserida
Áreas em presença de exostoses ósseas
Áreas com tecido inflamado
Vantagens
Pode-se determinar a posição final do retalho
Substitui a gengivectomia em alguns casos
Preservação do festonado gengival
Recuperação mais rápida da ferida cirúrgica
Técnica de fácil execução
Boa previsibilidade do resultado
Incisão em bisel Externo
Remove a parede epitelial, sem necessariamente remover em altura. Utilizado em gengivoplastias.
Indicações:
Bolsas supra-ósseas
Hiperplasias medicamentosas
Crateras gengivais resultantes da GUN
Correções da arquitetura gengival
Áreas com boa quantidade de gengiva inserida
Contra-Indicações
Áreas com pequena quantidade de gengiva inserida
Na presença de exostoses ósseas
Áreas com espessura óssea acentuada
Vantagens
Fácil execução
Redução de profundidade de bolsa
Previsibilidade morfológica
Desvantagens
Cicatrização lenta
Dor pós operatória
Aplicação Limitada
Incisão Relaxante ou Vertical
Complementa as incisões horizontais, para facilitar o deslocamento do retalho ao envolver menos dentes. Ultrapassa a linha mucogengival, envolve além do tecido gengival a mucosa alveolar. Deve ter as incisões divergentes para a sua base para garantir a nutrição, e não deve dividir a papila ao meio ou ser realizada na superfície vestibular do elemento dental. Segundo os tecidos envolvidos pode ser classificado segundo a sua espessura em retalho dividido/ mucoso (não envolve periósteo, apenas tecido gengival, elevado com instrumento de corte - bisturi) ou retalho total/ mucoperiósteo (envolve o periósteo e o tecido gengival, elevado com instrumento de ponta romba – sindesmótomo).
Indicações:
Melhor acesso à área a ser trabalhada
Evita dilacerações no retalho
Propicia o tracionamento do Retalho
Auxiliares das principais
Contra-Indicações
Evitar a região lingual devido ao risco de tracionamento
Retalho
São realizados para obter-se acesso cirúrgico a uma área ou para mover um tecido de um local para outro. O retalho deve ser bem planejado para que complicações como necrose, deiscência e dilaceração sejam evitadas. Podem ser classificados em espessura (total, parcial ou mista) e direção (lateral, coronal e apical). Objetivos:
Acesso para raspagem e alisamento radicular
Tratamento de lesões de bifurcações
Correção dos defeitos ósseos
Eliminação ou redução de bolsa
Eliminação e redução de áreas de retenção de placa
Acesso a bolsas profundas (linha mucogengival)
Vantagens:
Preservação da gengiva.
Devido a exposição do osso alveolar marginal é possível a identificação da morfologia dos defeitos ósseos e o tratamento adequado.
O retalho pode ser reposicionado na posição original ou reposicionado apicalmente, o que possibilita o ajuste da margem gengival às condições locais.
O período pós-operatório geralmente é menos desconfortável em comparação com a gengivectomia.
Retalho de espessura total
Indicações
Persistência de sinais clínicos de inflamação
Áreas de difícil acesso a raspagem
Áreas de retenção de placa
Aumento de coroa clínica
Exposição radicular: fraturas de trapanações
Enxertia de tecidos duros e moles
Colocação de implantes
Contra-indicações
Hiperplasia e fibrose gengival
Retalhos de espessura parcial
Indicações
Gengiva inserida reduzida ou ausente
Enxertos de tecido mole
Indicações variadas
Contra-Indicações
Região lingual e palatina
Vantagens
Proteção das estruturas subjacentes
Ancoragem de sutura periostal
Desvantagens
Técnica delicada e de difícil execução
Possibilidade de frenestação do retalho
Dor pós operatória
Retalho na palatina com relaxantes
Palatina com deslocamento vestibular
Maior visualização do campo
Colocação de guias cirúrgicas
Retalho fundo de sulco vestibular
Vestibular com deslocamento palatino
Maior suprimento sanguíneo
Visualização de campo mais deficiente
Cuidados na Confecção do retalho
Prevenção da necrose do retalho
Prevenção da deiscência do retalho
Prevenção da dilaceração
Manipulação dos tecidos
Debridamento
Osteotomia
Princípios de Prevenção da Necrose
A extremidade de um retalho nunca pode ser maior que a base
A extensão de um retalho não deve ser maior que duas vezes a largura da base
Quando possível, preservar o suprimento sanguíneo da base do retalho
A base do retalho não deve ser excessivamente manipulada
Homeostasia
Compressão com gase e pinça hemostática
Termocoagulação
Ligaduras por meio de suturas
Homeostasias com substâncias vasoconstrictoras
Sutura
A sutura é um dos procedimentos mais importantes para obtenção de resultados cirúrgicos satisfatórios. Seu objetivo é obter o fechamento primário da ferida cirúrgica que consequentemente resulta em hemostasia adequada e boa estética. A sutura mal executada poderá resultar em retalhos dilacerados, feridas abertas e em cicatrização com aspectos desagradáveis.
Referências
LINDHE, J. Tratado de periodontologia clínica e implatologia oral, 5 o ed., Ed. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 2010.