odontologistas.

Dentística

Hipersensibilidade dentinária: como diagnosticar e qual tratamento escolher, do creme dental ao consultório

Como confirmar a hipersensibilidade dentinária por exclusão, quais fatores etiológicos corrigir, o que a evidência diz sobre dentifrícios com fluoreto estanoso e arginina e o que sustenta, e o que não sustenta, sobre dessensibilizantes de consultório e laser.

Exemplo ilustrativo: um adulto relata pontada ao tomar água gelada num pré-molar com recessão gengival, e a dor some em segundos. Antes de indicar um creme dental para dentes sensíveis, a pergunta é outra: isso é hipersensibilidade dentinária (HD) ou cárie, trinca, pulpite ou restauração com falha? A HD é definida como dor curta e aguda originada na dentina exposta em resposta a estímulos térmicos, evaporativos, táteis, osmóticos ou químicos, que não pode ser atribuída a outro defeito ou doença dentária [1]. É, portanto, um diagnóstico de exclusão. Uma scoping review com consenso Delphi, publicada em 2026, refinou a definição e constatou que poucos estudos contemplavam todos os seus elementos, sobretudo a exclusão de outras patologias [2].

Por que a dentina exposta dói

O mecanismo mais aceito é a teoria hidrodinâmica, de Brännström: estímulos como frio, jato de ar, toque ou soluções osmóticas deslocam o fluido dos túbulos dentinários expostos, e esse movimento ativa terminações nervosas na interface entre polpa e dentina, produzindo dor breve e aguda [3, 4]. A teoria não explica todos os casos: há relatos de dor persistente com túbulos obliterados, e os odontoblastos vêm sendo estudados como possíveis células sensoriais, hipótese ainda não resolvida [4, 3].

Um estudo laboratorial citado em revisão encontrou, na dentina sensível, cerca de oito vezes mais túbulos, com o dobro do diâmetro; como o fluxo cresce com a quarta potência do raio, dobrar o diâmetro multiplica o fluxo por cerca de 16 [3]. Daí a lógica dos agentes oclusores, que buscam estreitar ou vedar os túbulos.

A frequência depende de como se mede. Em Porto Alegre, numa amostra probabilística de 1.023 adultos de 35 anos ou mais examinados em casa, foi de 33,4% com jato de ar e de 34,2% com ar e sonda [5]; na clínica odontológica da USP, entre 300 pacientes, chegou a 46% [6]. Revisões sistemáticas registram de 3,8% a 88,7% em 39 estudos [7] e de 1,3% a 92,1% em 77 estudos, com melhor estimativa de 11,5% [8]. Examinar clinicamente todos os participantes, e não só quem responde sim a um questionário de triagem, associou-se a prevalência maior [7], assim como amostras de clínica especializada e de conveniência [8].

Como diferenciar de cárie, trinca e pulpite

A pista principal é o comportamento da dor: na HD, ela surge com um estímulo identificável e cessa logo após sua retirada. Dor contínua, espontânea ou que persiste depois do estímulo deve levar a pensar em outro diagnóstico, e os testes com frio e calor ajudam a separar HD de pulpite [4]. O quadro abaixo reúne os diferenciais listados na revisão narrativa de Liu e colaboradores [4].

Diagnóstico diferencial da hipersensibilidade dentinária, com base sobretudo em revisão narrativa; nenhuma das fontes avaliou a acurácia desses testes para HD.
CondiçãoPista na anamnese ou no exameComo diferenciar
Hipersensibilidade dentináriaDor curta e aguda provocada por frio, ar, toque ou ácido, que cessa com a retirada do estímulo; dentina exposta por recessão, lesão cervical ou desgaste [1, 4]Reproduzir a dor com sonda exploradora suave ou jato de ar sobre a dentina exposta, depois de excluir as demais condições [4]
Cárie ou restauração com falhaCavidade, lesão visível ou margem de restauração deficienteExame visual-tátil e radiografia, que serve para excluir essas causas, não para confirmar HD [4]
Trinca (síndrome do dente rachado)Dor à mastigação; dor ao morder ou ao soltar a mordida sugere trinca (proposta deste artigo)Teste de mordida em rolete de algodão ou dispositivo específico, transiluminação e magnificação [4]
Pulpite reversível ou irreversívelDor espontânea, contínua ou que dura após a retirada do estímulo [4]Testes térmicos com frio e calor, protegendo os tecidos moles [4]
Abscesso periodontal, periodontite apical ou pericoronariteQuadro inflamatório ou infeccioso localizadoExame clínico e radiográfico [4]
Sensibilidade associada a bruxismo e atriçãoSensibilidade em faces oclusais com sinais de atrição ou parafunção [3]Exame do desgaste e anamnese de parafunção [4]
Sensibilidade pós-clareamento ou pós-restauraçãoInício relacionado ao procedimentoAnamnese; tema fora do escopo deste artigo [4]

Como as fontes não trazem estudo de acurácia desses testes para HD, a sequência abaixo é uma proposta deste artigo, derivada da definição de exclusão e da lista de diferenciais [1, 2, 4].

  1. Caracterizar a dor: gatilho, duração e se surge sem estímulo; dor espontânea ou prolongada aponta para pulpite [4].
  2. Investigar dor ao mastigar e, havendo suspeita, testar trinca com mordida em rolete de algodão, transiluminação e magnificação [4].
  3. Descartar cárie, fratura e restauração com falha por exame visual-tátil e radiografia [4].
  4. Localizar a dentina exposta e reproduzir a dor com sonda suave e jato de ar, registrando dentes e faces afetados, se possível com fotografias [4].
  5. Só então firmar o diagnóstico de HD e registrar a intensidade inicial com o estímulo e a escala que serão repetidos no retorno.

Fatores etiológicos a controlar

Para doer, a dentina precisa estar exposta e com os túbulos abertos. West e colaboradores separam a localização, quando a perda de esmalte ou a recessão gengival expõe a dentina, da iniciação, quando os túbulos se abrem por erosão, abrasão ou remoção da smear layer, a fina camada de detritos que tampa a entrada dos túbulos [3]. A recessão é a causa mais comum de dentina radicular exposta [3].

A erosão é considerada o fator dominante. Refrigerantes, frutas cítricas, sucos e algumas bebidas alcoólicas e chás removem a smear layer em minutos e amolecem a dentina, que passa a se desgastar mais na escovação com dentifrício abrasivo [3]. Refluxo gastroesofágico, transtornos alimentares, alcoolismo e gravidez são fontes intrínsecas de ácido a pesquisar na anamnese [3, 4]. A abfração (hipótese de que tensões oclusais criam as lesões cervicais não cariosas, ou LCNC, perdas de estrutura no colo do dente sem participação bacteriana) não as explica sozinha: as lesões em cunha parecem resultar sobretudo de erosão com abrasão, e atrição e parafunção podem contribuir para sensibilidade em faces oclusais [3].

Os dados clínicos vão na mesma direção, mas são observacionais. Numa revisão sistemática de 21 estudos, a HD apareceu em média em 42,1% dos pacientes com desgaste dentário e em 18,7% dos sem desgaste, associada também a dieta ácida e parafunção [9]. Isso mostra que os fatores andam juntos, não que um cause o outro. Em Porto Alegre, sexo feminino (razão de chances, ou OR, de 2,14; a OR compara a chance de ter a condição entre dois grupos), tabagismo, tratamento periodontal prévio e recessão associaram-se a mais HD, e ter 60 anos ou mais, a menos (OR 0,47 frente ao grupo de 35 a 49 anos) [5].

A escovação é onde as fontes menos concordam. Na clínica da USP, força excessiva, quatro escovações diárias, bruxismo e refluxo correlacionaram-se com HD [6], mas a revisão sobre desgaste considerou conflitante a evidência sobre frequência e técnica [9], e escovas elétricas não causaram mais recessão que as manuais em revisão Cochrane citada por West e colaboradores [3]. Liu e colaboradores sugerem medidas de baixo custo: escova macia, dentifrício pouco abrasivo, movimento vertical, não escovar logo após ingerir ácidos, placa oclusal no bruxismo, remoção de piercing de língua e encaminhamento de causas médicas como refluxo e bulimia [4].

A sensibilidade após terapia periodontal é frequente e costuma ser transitória. Uma revisão sistemática de 12 estudos registrou 62,5% a 90% de pacientes sensíveis no primeiro dia após raspagem e alisamento radicular e cerca de 52,6% a 55% após uma semana; depois de cirurgia periodontal, a frequência caiu de 76,8% a 80,4% no primeiro dia para 21,7% em oito semanas [10]. Num estudo citado em outra revisão, a sensibilidade voltou perto do nível pré-operatório em seis semanas, aparentemente sem dessensibilizante [1]. Proposta deste artigo: avisar o paciente, indicar dentifrício dessensibilizante e investigar mais só se a dor for intensa ou persistente. Os dados são antigos, vêm de poucos estudos e não comparam tratamentos.

Qual dentifrício indicar primeiro

Duas medidas aparecem a seguir. A diferença média padronizada (DME, ou SMD em inglês) expressa a diferença entre grupos em unidades de desvio-padrão, o que permite combinar estudos com escalas diferentes; aqui, valores negativos indicam menos dor com o ativo. O I² estima quanto da variação entre os estudos se deve a diferenças reais entre eles, e não ao acaso; perto de 100%, os estudos discordam muito e o número combinado vale pouco isoladamente.

A síntese mais recente é uma meta-análise em rede, método que compara vários tratamentos ao mesmo tempo, inclusive pares nunca testados frente a frente. Da revisão de 93 ensaios randomizados (9.548 participantes), 47 entraram nas análises em rede. Dentifrícios com fluoreto estanoso e com arginina deram as maiores reduções de sintoma em comparação com um dentifrício fluoretado de referência, sobretudo ao jato de ar e ao estímulo tátil; a certeza foi alta para o fluoreto estanoso no estímulo evaporativo e menor para a arginina, de efeito semelhante. Os autores indicam ambos como primeira linha, conforme preferência, tolerabilidade e disponibilidade [11]. Só o resumo pôde ser consultado: faltam aqui as magnitudes, o tempo até o efeito e o desempenho de outros ativos nessa análise.

Uma meta-análise anterior, de 31 ensaios com busca até 2013, comparou cada classe com placebo: arginina (DME −3,25), potássio associado a fluoreto estanoso (−2,50), fosfossilicato de cálcio e sódio (−2,36), fluoreto estanoso (−1,37) e potássio (−1,28) reduziram a sensibilidade, e o estrôncio não diferiu de placebo (+0,05) [12]. Com I² de 64% a 95% e sem comparação direta entre os ativos, essa ordem não é um ranking. Em outra meta-análise, produtos domiciliares de oclusão química e de dessensibilização nervosa superaram o placebo; os de oclusão física, não [13].

O potássio tem a evidência mais discutível. A revisão Cochrane de 2006, com seis estudos, encontrou menor sensibilidade ao jato de ar em seis a oito semanas (DME −1,25), mas nenhuma diferença na avaliação subjetiva do paciente, e concluiu não haver evidência clara de benefício [14]. Liu e colaboradores atribuem o efeito visto em ensaios bem desenhados com sais de potássio provavelmente ao placebo [4], e o resultado favorável da meta-análise de 2015 vem com I² de 93% para esse ativo [12].

No Brasil, pela RDC 907/2024 da Anvisa (lida em compilação não oficial que incorpora a RDC 949/2024), dentifrícios e enxaguatórios para pessoas com dentes sensíveis constam como produtos de higiene pessoal de Grau 2, com a ressalva de que não se proclamem como agente de tratamento; essa classificação trata do controle sanitário, não da eficácia do ativo [15].

Proposta deste artigo: na primeira consulta, indicar dentifrício com fluoreto estanoso ou com arginina, escolhido por tolerabilidade, custo e disponibilidade, e corrigir os fatores etiológicos encontrados [11, 12]. Corrigir a causa importa porque a retenção dos agentes oclusores a longo prazo é incerta [4], e dieta ácida e abrasão persistentes tendem a agravar essa incerteza.

Quando escalar para o consultório e com qual agente

As fontes não fixam prazo para declarar falha do dentifrício. Como a maioria dos ensaios mede o desfecho entre duas e seis semanas [16], este artigo propõe reavaliar por volta de quatro semanas de uso diário e, sem melhora, rever o diagnóstico e a adesão (se o produto está sendo usado e se os hábitos erosivos mudaram) antes de acrescentar um agente de consultório.

O consultório oferece efeito mais rápido. Numa meta-análise de 25 ensaios em LCNC, oclusão química, oclusão física e dessensibilização nervosa aplicadas no consultório superaram o placebo [13]. Uma revisão de 74 ensaios e 5.366 pacientes concluiu que todos os ativos funcionaram em algum momento, mas só os de consultório foram eficazes já nos primeiros sete dias, com destaque para glutaraldeído com HEMA, ionômero de vidro e laser; nitrato de potássio, arginina e sistemas adesivos aparecem entre os eficazes no longo prazo [17]. O resumo dessa revisão não indica comparação com placebo; análises baseadas na mudança em relação ao estado inicial tendem a inflar o efeito de qualquer tratamento.

Sobre o laser, a conclusão de uma revisão recente se afasta dos dados. Em 2026, uma revisão sobre modalidades ditas avançadas, com 25 ensaios na meta-análise, calculou para laser (diodo, Nd:YAG e Er,Cr:YSGG) DME −2,11, com I² de 93%; iontoforese, vidro bioativo, arginina, nano-hidroxiapatita e CPP-ACP (fosfopeptídeo de caseína com fosfato de cálcio amorfo) ficaram entre −1,25 e −0,72, e oxalato e resina ou verniz não tiveram efeito significativo [16]. Os autores afirmam superioridade sobre os dessensibilizantes convencionais, mas não fizeram avaliação GRADE da certeza, trataram a comparação entre modalidades como exploratória, misturaram placebo, nenhum tratamento e agentes ativos como comparadores, usaram subgrupos de dois ou três ensaios em várias modalidades e apresentam contagens de estudos e de participantes que não fecham entre texto e tabelas [16]. A qualidade, no conjunto, é baixa a moderada.

Uma revisão guarda-chuva (umbrella review, que analisa revisões sistemáticas em vez de estudos isolados) reuniu 25 revisões sobre laser, só sete de alta qualidade. O laser, sozinho ou associado a dessensibilizantes, reduziu a dor a curto prazo frente a placebo ou nenhum tratamento, mas os resultados contra outros dessensibilizantes foram inconsistentes, a certeza foi baixa a muito baixa em várias revisões e há poucos dados além de seis meses [18]. Uma das revisões incluídas registrou efeito placebo significativo logo após a aplicação, e um ensaio não encontrou diferença entre Nd:YAG ativado e não ativado em quatro meses [18]. Com o que se sabe hoje, o laser é opção com efeito de curto prazo documentado, não escolha superior comprovada.

Para os oxalatos, uma revisão de 12 estudos, todos com alto risco de viés, não mostrou efeito significativo; o oxalato monoidrogênio monopotássico a 3% (oito estudos) teve DME −0,71, com intervalo de confiança que inclui ausência de efeito [19]. A revisão de 2026 também não encontrou efeito para oxalato nem para o grupo heterogêneo de resinas e vernizes, com quatro ensaios [16].

Com defeito cervical visível ou falha do tratamento não restaurador, Liu e colaboradores indicam restauração direta, com resina composta ou ionômero de vidro, ou indireta e, na recessão, cirurgia mucogengival, cujos resultados a longo prazo ainda são debatidos [4]. Em recessão associada a LCNC, uma revisão de quatro ensaios randomizados relatou que o recobrimento radicular combinado com restauração reduziu mais a sensibilidade que o recobrimento isolado, com certeza da evidência baixa a muito baixa (lida só no resumo) [20].

Agentes para hipersensibilidade dentinária e força da evidência. DME: diferença média padronizada; valores negativos favorecem o agente.
Agente ou classeOnde se usaO que a evidência mostraForça e limites
Fluoreto estanosoDentifrício de uso domiciliarEntre as maiores reduções de sintoma frente a dentifrício fluoretado de referência [11]; DME −1,37 contra placebo [12]Certeza alta para estímulo evaporativo [11]; revisão mais recente lida só no resumo, sem magnitudes
ArgininaDentifrício de uso domiciliarEfeito semelhante ao do fluoreto estanoso [11]; DME −3,25 contra placebo [12]; entre os eficazes no longo prazo [17]Certeza menor que a do fluoreto estanoso [11]; I² de 86% [12]
PotássioDentifrício de uso domiciliarDME −1,28 contra placebo [12]; efeito ao jato de ar sem diferença na avaliação subjetiva [14]Evidência conflitante; benefício possivelmente atribuível a placebo [4, 14]
Fosfossilicato de cálcio e sódioDentifrício de uso domiciliarDME −2,36 contra placebo [12]Quatro ensaios, I² de 92%, busca até 2013 [12]
EstrôncioDentifrício de uso domiciliarSem diferença de placebo (DME +0,05) [12]Sem suporte na evidência reunida
Glutaraldeído com HEMA, ionômero de vidro e sistemas adesivosConsultórioGlutaraldeído com HEMA e ionômero eficazes já nos primeiros sete dias; sistemas adesivos no longo prazo [17]; oclusão química e física no consultório superiores a placebo [13]Revisão de 74 ensaios sem placebo indicado no resumo [17]
Laser (diodo, Nd:YAG, Er,Cr:YSGG)ConsultórioReduz a dor a curto prazo frente a placebo ou nenhum tratamento [18]; maior efeito numérico na revisão de 2026 (DME −2,11) [16]I² de 93% [16]; certeza baixa a muito baixa em várias revisões, resultados inconsistentes contra outros dessensibilizantes e efeito placebo relevante [18]
Vidro bioativo, nano-hidroxiapatita, CPP-ACP e iontoforeseFormulações variadas nos ensaiosDME entre −0,72 e −1,25 em subgrupos da revisão de 2026 [16]; hidroxiapatita eficaz no médio e no longo prazo [17]Dois ou três ensaios por subgrupo, revisão de qualidade baixa a moderada [16]
OxalatosFormulações variadas nos ensaiosSem efeito significativo contra placebo ou nenhum tratamento [19, 16]Estudos com alto risco de viés [19]
Vernizes e resinasConsultórioSem efeito significativo no subgrupo da revisão de 2026 (DME +0,50) [16]Categoria heterogênea, quatro ensaios [16]
Restauração da LCNC com recobrimento radicularConsultório, em recessão associada a LCNCReduziu mais a sensibilidade que o recobrimento isolado [20]Quatro ensaios, certeza baixa a muito baixa, só resumo lido [20]

A sequência abaixo é uma proposta deste artigo, que combina o esquema escalonado de Liu e colaboradores [4], os prazos típicos dos ensaios [16] e os achados do quadro.

  1. Confirmar a HD por exclusão e registrar a dor inicial com estímulo e escala definidos [4].
  2. Corrigir dieta ácida, escovação abrasiva, bruxismo e causas médicas de refluxo ou vômito [3, 4].
  3. Indicar dentifrício com fluoreto estanoso ou com arginina, de uso diário [11, 12].
  4. Reavaliar em cerca de quatro semanas com o mesmo estímulo e a mesma escala; sem melhora, rever diagnóstico e adesão [16].
  5. Persistindo a dor, acrescentar dessensibilizante de consultório, como agente oclusor, glutaraldeído com HEMA, ionômero de vidro ou sistema adesivo; o laser é alternativa, sem superioridade demonstrada [13, 17, 18].
  6. Com defeito cervical visível ou falha das etapas anteriores, restaurar a lesão e, havendo recessão, considerar recobrimento radicular [4, 20].

Como acompanhar a resposta

Nos ensaios, a dor é provocada por jato de ar ou estímulo tátil e graduada pela escala de Schiff, que classifica a resposta ao estímulo em categorias ordenadas (de 0 a 3 ou de 0 a 4, conforme a versão), pela escala visual analógica (EVA, uma linha de 0 a 10 ou de 0 a 100 em que o paciente marca a intensidade) ou por escalas verbais. Os estímulos não são padronizados entre os ensaios, o que dificulta comparar estudos [16].

Num estudo brasileiro de acurácia com 72 estudantes e funcionários, com média de 27,8 anos, a escala de Schiff e uma escala numérica tiveram acurácia semelhante (0,729 e 0,750); a numérica foi mais sensível (81,9%) e a Schiff mais específica (91%) [21]. A amostra pequena e jovem e um resumo contraditório sobre a preferência dos participantes impedem usar o estudo para eleger uma escala.

Proposta deste artigo: medir a dor antes do tratamento e repetir a medida no retorno com o mesmo estímulo, a mesma escala, o mesmo dente e a mesma face (a título ilustrativo, jato de ar da seringa tríplice e escala numérica de 0 a 10). A revisão de 2026 não conseguiu estabelecer uma diferença mínima clinicamente importante, isto é, o menor ganho que o paciente perceberia como relevante [16]; por isso, vale perguntar também se a dor ainda atrapalha comer, beber e escovar. O consenso Delphi de 2026 incluiu desfechos relatados pelo paciente e de qualidade de vida no conjunto mínimo a medir nos ensaios [2].

Há ainda o efeito placebo, registrado em revisões de laser [18]. A melhora no retorno não prova que o agente escolhido foi o responsável, e estudos que só comparam o paciente com o estado inicial tendem a parecer mais favoráveis.

Registrar e reavaliar não é ideia nova. Em 2003, um painel canadense de dentistas e higienistas, diante da falta de evidência robusta e da confusão sobre diagnóstico e manejo, elaborou por consenso um algoritmo simples e recomendou símbolos padronizados de registro e um índice de avaliação do caso [22]. Só o resumo desse documento pôde ser consultado, por isso o algoritmo não é reproduzido aqui; não foi localizada diretriz brasileira específica sobre o tema.

O que ainda limita as decisões

Seguimentos curtos, em geral de duas a seis semanas [16], poucos dados de laser além de seis meses [18], estímulos e escalas sem padronização [16] e heterogeneidade alta mesmo nas sínteses mais favoráveis [12] pesam sobre todas as recomendações acima. Na prática, a escolha do agente funciona melhor como hipótese testada em cada paciente, com medida antes e depois, do que como protocolo fechado.

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Referências

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  21. Rocha MOC, Cruz AACF, Santos DO, Douglas-de-Oliveira DW, Flecha OD, Gonçalves PF. Sensitivity and specificity of assessment scales of dentin hypersensitivity - an accuracy study. Braz Oral Res, 2020.

    DOI: 10.1590/1807-3107bor-2020.vol34.0043

    PMID 32401933

    Consultar referência 21 ↗
  22. Canadian Advisory Board on Dentin Hypersensitivity. Consensus-based recommendations for the diagnosis and management of dentin hypersensitivity. J Can Dent Assoc, 2003.

    PMID 12662460

    Consultar referência 22 ↗

TEMAS DESTE ARTIGO

ABNT NBR 6023

Como citar este artigo

ODONTOLOGISTAS. Hipersensibilidade dentinária: como diagnosticar e qual tratamento escolher, do creme dental ao consultório. Odontologistas, 17 out. 2026. Disponível em: https://odontologistas.com.br/hipersensibilidade-dentinaria-diagnostico-e-tratamento-a09dfbff11a84fefa897daf99a4cb9ca/. Acesso em: 17 out. 2026.

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