A classificar
Plano de tratamento
O diagnóstico periodontal, é o conhecimento da doença baseado nos sinais e sintomas do paciente, no exame clínico e complementar. Sendo a avaliação periodontal responsável por determinar a condição clínica da inflamação dos tecidos periodontais com o registro da profundidade de sondagem, níveis de inserção clínica e acúmulo de biofilme.
Anamnese dos Pacientes Periodontais
A avaliação da anamnese do paciente requer uma atenção aos seis seguintes aspectos:
Queixa Principal e Expectativas
Pacientes encaminhados: a extensão do tratamento deve ser definida e o cirurgião-dentista que encaminhou deve ser informado das intenções para com o tratamento.
Pacientes que compareceram independentemente: as necessidades do paciente devem estar em equilíbrio com a avaliação objetiva da doença e a projeção dos resultados do tratamento.
Relato de dor, prurido, ardor;
Motivo pelo qual procurou o tratamento;
História Familiar e Social
Esclarecer o ambiente social do paciente e ter uma noção de suas prioridades na vida, incluindo a sua atitude em relação ao tratamento dentário.
A história familiar é importante, especialmente quando estiver relacionada às formas agressivas de periodontite.
História Dentária
Avaliação dos cuidados dentários anteriores e as visitas de manutenção
Informações a respeito de sinais e sintomas de periodontite percebidos pelo paciente, tais como, migração e aumento da mobilidade do dente, sangramento gengival, impactação alimentar e dificuldade na mastigação, devem ser avaliados. Além disso, determina-se o conforto à mastigação e a possível necessidade de substituição dos dentes.
Hábitos de Higiene Oral
Ter conhecimento e avaliar sobre os instrumentos de limpeza utilizados, como interdental, agentes químicos e uso de fluoretos.
História de Pacientes Tabagistas
O fumo tem sido documentado como o segundo mais importante fator de risco, depois de controle inadequado da placa na etiologia e patogenia da doença periodontal, a importância de aconselhamento sobre o tabagismo deve ser enfatizada.
Incluem alterações biológicas da resposta imunológica celular e humoral, provocando efeito imunossupressor e prejudicando a relação hospedeiro-parasita. Entre as alterações imunológicas deve ser destacado o prejuízo na mobilização, quimiotaxia e função fagocitária dos leucócitos polimorfonucleares do sangue periférico com comprometimento da linha primária de defesa contra bactérias subgengivais ( Mecklenburg e Grossi, 2000).
Dentre as substâncias vasoativas do cigarro, destaca-se a cotinina, um dos derivados metabólicos da nicotina (Mecklenburg e Grossi, 2000). A constrição dos vasos sanguineos periféricos do tecido gengival gera implicações de ordem inflamatória e possivelmente imunológica, além de diminuir a oxigenação e nutrição tecidual, provocando menos renovação celular (Mecklenburg e Grossi, 2000).
Devido a cotinina encontrada no soro, na saliva e no fluido gengival de pacientes fumantes (McGuire et AL 1989; Cuff et al ,1989) demonstraram ser possível a absorção de nicotina pela superfícies radicular de fumantes com doença periodontal.
O alcatrão provoca o amarelamento dos dentes.
Independente do grau de higiene oral, os fumantes apresentam redução dos sinais clínicos da inflamação como sangramento, vermelhidão, aumento de exudacão e edema.
Características pacientes tabagistas:
Níveis mais elevados de doença periodontal e cálculo;
Maior perda de inserção e maior grau de recessão gengival;
Maior grau de perda de osso alveolar;
Menor índice de gengivite e menor grau de sangramento à sondagem;
Maior índice de envolvimento de furca;
História de Pacientes Diabéticos
Maior prevalência, severidade e extensão da doença periodontal;
Perda de suporte ósseo mais frequente em pacientes com diabetes não controlada;
Menor ação de neutrófilos, maior risco de abscessos periodontais;
Maior cuidado no processo de cicatrização;
História Médica e Medicamentos
As quatro maiores complicações encontradas em pacientes podem ser prevenidas ao se analisar a história médica a respeito de:
Riscos Cardiovasculares e Respiratórios
Distúrbios Sanguíneos
Riscos de Infecções
Reações alérgicas
Uma avaliação apurada das medicações prescritas do paciente e de suas potenciais interações e efeitos nos procedimentos terapêuticos deve ser realizada.
Sinais e Sintomas das doenças periodontais
A palavra diagnóstico, de origem grega, é formada pelo advérbio “Dia”, que significa “através”, e pelo substantivo “Gnosis”, que significa “conhecimento”. Um diagnóstico é na realidade uma afirmação com alta probabilidade de certeza feita pelo clínico, sobre que doenças ou condição que o paciente possui. Clinicamente, as formas de doença periodontal são caracterizadas pelas alterações de cor, textura gengival, vermelhidão e exudato, assim como por um aumento da tendência de sangramento à sondagem no sulco gengival/bolsa periodontal. Além disso, os tecidos periodontais podem exibir resistência reduzida à sondagem, aumentando a profundidade clínica de sondagem e/ou recessão tecidual. Estágios avançados de periodontite também podem estar associados ao aumento da mobilidade dentária, assim como à migração ou perda do dente. Radiograficamente, a periodontite pode ser reconhecida por uma perda alveolar de moderada a avançada, que pode ser horizontal ou vertical (angular). A perda óssea horizontal progride de maneira uniforme na dentição, a crista óssea remanescente apresenta um contorno radiográfico horizontal. A perda óssea vertical se desenvolve em diferentes níveis ao redor das superfícies dentárias. No exame físico devem ser avaliados:
os tecidos moles da boca: mucosa jugal, língua, palato, orofaringe, mucosa alveolar, lábios, assoalho bucal, glândulas salivares;
elementos dentários: Diastemas, giroversão, apinhamentos, cáries, pontes e coroas e restaurações;
No diagnóstico clínico de uma doença periodontal, irá apresentar edema, vermelhidão, sangramento e alteração de cor e textura gengival. O sintoma “sangramento a sondagem” na base do sulco gengival/bolsa periodontal está associado à presença de um infiltrado de células inflamatórias nessas áreas. A pseudobolsa é a migração coronal da margem gengival causada por um edema inflamatório, sem uma migração do epitélio dentogengival até um nível apical da junção cemento-esmalte. Pode ocorrer por causas hereditárias ou provocadas por medicamentos.
Periograma
Para avaliar a quantidade de tecido perdido na doença periodontal e também identificar a extensão apical da lesão inflamatória, deve-se verificar a (1) profundidade da bolsa à sondagem (PPD), (2) Nível de inserção à sondagem (PAL), (3) Envolvimento de Furca (FI) e (4) Mobilidade Dentária (TM).
Profundidade de Sondagem
Clinicamente normal: 0 a 3 mm
Verificar 6 áreas: 3 lingual e 3 vestibular (mesial, mésio, distal)
Profundidade de bolsa periodontal
Distância em milímetros da margem gengival ao fundo do sulco gengival/bolsa periodontal através de uma sonda periodontal graduada (0,4 a 0,5 mm). Apenas poderá revelar informações de perda de inserção a sondagem quando a margem gengival coincide com a junção cemento-esmalte.
Poderá ocorrer perda de inserção sem o aumento na profundidade de bolsa (recessões gengivais).
Se a profundidade da bolsa não exceder 6 mm, o diagnóstico é de leve a moderada ( maior que 3 e menor ou igual a 6 mm).
Nível de Inserção Clínica (NCI)
O nível de inserção clínica pode ser avaliado pela utilização de uma sonda graduada, sendo a distância em milímetros da junção cemento-esmalte (JCE) até o fundo do sulco gengival/bolsa periodontal.
A avaliação clínica requer a medida da distância da margem gengival livre (MG) a junção cemento-esmalte (JCE) para cada superfície dentária. Depois de anotadas, o nível de inserção à sondagem pode ser calculado na ficha periodontal: Profundidade de Sondagem da bolsa - distância da JCE. Nos casos de recessão gengival, a distância margem gengival livre até a junção cemento-esmalte é negativa e deve ser acrescentada a profundidade de sondagem da bolsa para determinar o nível de inserção à sondagem.
Envolvimento de furca
Grau I: perda horizontal menor que 1/3 da largura do dente
Grau II: perda horizontal maior que 1/3 da largura do dente
Grau III: destruição horizontal “lado a lado” de vestibular a palatino
Grau IV: é o grau III quando a gengiva tem recessão, é possível a visualização clínica da furca.
Mobilidade Dentária
Grau 0: mobilidade fisiológica.
Grau I: 0 a 1 mm sentido horizontal
Grau II: maior que 1 mm sentido horizontal
Grau III: mobilidade no sentido horizontal e vertical (exodontia)
Causas: sobrecarga dentária, tratamento ortodôntico, lesão periapical, situação pós operatória de cirurgia periodontal, trauma oclusal
Instrumentais
Curetas
Cureta Universal: - 13-14 : pode ser usada em todas as faces de todos os dentes
Curetas Gracey: raspagem supra e subgengival
5-6: raspagem de todas as faces dos dentes anteriores
7-8: raspagem de V e L dos posteriores
11-12: raspagem das mesiais dos posteriores
13-14: raspagem das distais dos posteriores
Sondas
Willians: Milimetrado de 1 em 1 milímetros, não possui a marcação de 4 e 6 milímetros, a marcação é inciada com 1 mm, com marcação máxima de até 10 mm.
OMS: Utilizada em estudos epidemiológicos, possui extremidade da ponta ativa arredondada, Milimetrado de 1 em 1 milímetros, a marcação é iniciada com 3,5 mm, com marcação máxima de até 11,5 mm. Possui apenas as marcações 3,5 mm, 5,5 mm, 8,5 e 11, 5 mm.
UNC (carolina do norte): É a mais precisa, possui marcação de milímetro a milímetro.
Plano de Tratamento
O tratamento de pacientes portadores de cárie e doença periodontal, incluindo sintomas das condições patogênicas associadas, tais como pulpites, periodontites periapicais, abscessos gengivais, migração dentária, etc., pode ser dividido didaticamente em quatro diferente fases:
Fase sistêmica da terapia, incluindo aconselhamento sobre tabagismo;
Fase inicial (ou de profilaxia) da terapia periodontal, terapia relacionada à causa;
Fase Corretiva da terapia periodontal: medidas adicionais, tais como cirurgia periodontal e /ou terapia endodôntica, cirurgia para implante, tratamento restaurador e/ou ortodôntico e protético;
Fase de manutenção, terapia periodontal de suporte (TPS).
Objetivos do Tratamento Para cada paciente com diagnóstico de periodontite, uma estratégia para tratamento, incluindo a eliminação da infecção oportunista, deve ser elaborada e seguida. A estratégia de tratamento também devem definir os parâmetros a serem atingidos através da terapia, como :
Redução ou resolução da gengivite (sangramento à sondagem): deve ser menor ou igual a 25%;
Redução na profundidade da bolsa a sondagem. Sem bolsas residuais com redução em bolsas maior que 5 mm;
Eliminação de furcas de grau III, envolvimento de furca inicial não deve exceder 3 mm;
Ausência de dor;
Satisfação individual de estética de função;
Nesse contexto deve-se enfatizar os fatores de risco para periodontite, que podem ser controlados. Os três fatores de risco para periodontite crônica são como: (1) Controle inadequado de placa, (2) Tabagismo e (3) diabetes mellitus não controlado. (kinane et al., 2006).
Exame Periodontal Básico
Durante o exame periodontal básico, cada dente ou implante é avaliado em seis pontos, nas faces vestibulares e palatinas e nas respectivas proximais, utilizando-se de sonda periodontal graduada. Na face vestibular a posição da sonda deve ser paralela ao longo eixo do dente e nas faces proximais, com uma leve inclinação com apoio no ponto de contato em direção ao COL gengival. Para cada quadrante ou sextante é atribuído um índice do exame periodontal básico de acordo com os quais o maior valor é usado. Sistema de índices do exame periodontal básico:
Índice 0: profundidade da bolsa à sondagem <= 3 mm, sangramento a sondagem negativo, nenhum cálculo ou restaurações com excesso;
Índice 1: profundidade da bolsa à sondagem <= 3 mm, sangramento a sondagem positivo, sem cálculo, sem calculo ou restaurações em excesso;
Índice 2: profundidade da bolsa à sondagem <= 3 mm, sangramento a sondagem positivo, presença de cálculo supra e/ou subgengival e/ou restaurações com excesso;
Índice 3: profundidade da bolsa à sondagem > 3 mm e <= 5 mm, sangramento a sondagem positivo;
Índice 4: profundidade da bolsa à sondagem > 5 mm
Se o examinador identificar um único sítio com profundidade da bolsa à sondagem > 5 mm dentro do sextante, o mesmo receberá índice 4. Referências Bibliográficas
LINDHE, J. Tratado de periodontologia clínica e implatologia oral, 5 o ed., Ed. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 2010.