Reabilitação Oral
Componentes Protéticos para Implantes
Componentes protéticos são todas as peças de conexão utilizadas sobre os implantes dentários em procedimentos clínicos (moldagens, transferências) ou para a instalação de próteses sobre implantes. A escolha dos componentes é um importante passo do planejamento e devem ser sempre adaptados perfeitamente sobre o implante de forma passiva. Esses componentes possuem diversas nomenclaturas que variam de acordo com o fabricante. Contudo existe uma linguagem genérica que pode ser aplicado a qualquer componente, facilitando a comunicação entre cirurgiões-dentistas, empresas e laboratórios de prótese (MISCH, 2008; PELLIZZER, 2016). A seleção dos componentes protéticos depende do sistema de conexão do implante (hexágono interno ou externo, cone morse), da necessidade estética, da oclusão do paciente, se a prótese é provisória ou definitiva, cimentada ou parafusada, da mucosa e da inclinação do implante em relação ao eixo da coroa. Existem 3 grandes grupos de componentes: transferentes, intermediários e cilindros. O componente UCLA de acordo com a sua utilização pode ser classificado como intermediário ou cilíndro. Os cilindros e intermediários são sempre conectados ao implante por meio de parafusos e a coroa protética pode ser retida ou fixada por parafuso ou cimentação (PELLIZZER, 2016).
Transferentes ou Transfers
São peças de conexão sobre implantes ou intermediário protético utilizados nas moldagens clínicas e podem ser cônicos ou redondos (moldeira fechada), quadrados (moldeira aberta) e coping de transferência (moldeira aberta e fechada). O transferente deve estar perfeitamente adaptado ao implante antes de realizar a moldagem. Uma radiografia periapical pode ser utilizada para verificar essa adaptação. A falta de adaptação entre a prótese e o pilar (intermediários) induz ao stresse e sobrecarga nos parafusos do implante. Os transferentes cônicos possuem design não retentivo e são removidos dos implantes ou dos intermediários após a moldagem para ser fixado na peça análoga (análogo) e posteriormente no interior do molde, sendo posicionado como se estivesse em boca. Os quadrados para moldeira aberta possuem design retentivo para serem removidos com o molde após a desparafusagem do implante ou do intermediário da boca, em seguida o análogo é posicionado no molde e parafusado.
Intermediários
Os intermediários são componentes instalados diretamente sobre os implantes para fazer a ligação entre a prótese e o implante e que dão conexão aos cilindros. São conhecidos também como abutments, pilares cônicos e mini-cônicos, conector e transmucoso. Funcionam como os núcleos da prótese fixa convencional, com a diferença de serem parafusados e não cimentados ao implante. A fixação da prótese ao intermediário pode ser realizada com o uso de parafusos ou cimentação. Como exemplos temos: pilar Standart, UCLA (University of California, Los Angeles), pilares de zircônia (produzidos por CAD/CAM), pilares cônicos e mini-cônicos com ou sem angulação. Nas próteses overdentures (implanto-retidas e mucosa-suportadas) os intermediários são chamados de attachments (sistema de encaixes). Como exemplo de attchments mais comuns, temos o sistemas barra clipe, ERA, Locator ® e O´ring. Para cada intermediário existe um transferente e um cilindro correspondente para a confecção da prótese. A escolha dos intermediários depende de fatores locais como a profundidade gengival peri-implantar, biótipo gengival, inclinações do implante, espaço intermaxilar, próteses unitárias e múltiplas, posição do implante na arcada e o tipo de prótese. (ROCHA, 2013; PELLIZZER, 2016).
Cilíndros
São componentes protéticos onde são confeccionadas as próteses ou barras protéticas, usados geralmente em laboratórios. Podem ser fixados sobre os intermediários ou diretamente sobre os implantes. Quando a interface é implante-intermediário-cilindro são considerados como seguimentados e recebem o nome do intermediário de encaixe (cilindro de pilar cônico, cilindro de pilar mini-cônico). Se a conexão do cilindro é diretamente ao implante é dita como não seguimentada (UCLA). A UCLA dessa forma pode ser considerado um intermediário ou cilindro (PELLIZZER, 2016).
Chaves e Parafusos
Os parafusos são usado para fixar os intermediários ao implantes ou coroas ao cilíndros ou UCLAS, criando uma força de travamento entre as duas partes da conexão para previnir o afrouxamento da peças quando a prótese estiver em função. Assim para cada parafuso existe uma chave de encaixe que pode ser manual, utilizada em contra-ângulo ou torquímetro (BLOCK, 2012).
| Chave para parafusos: A - Contra-ângulo B- Torquímetro C- Manual (fonte: Block, 2012) |
Chave para parafusos:
A - Contra-ângulo B- Torquímetro C- Manual (fonte: Block, 2012)
Parafuso de cobertura e cicatrizador
Após cirurgia do implante, para impedir que o osso, tecidos moles e resíduos invadam a região de conexão do implante, durante a cicatrização, deve ser utilizado um componente de cobertura de primeiro estágio, denominado, tapa implante. Após o primeiro estágio de cicatrização é preconizado o uso de um componente de segundo estágio, chamado de cicatrizador, por algumas semanas (15 dias). O objetivo do cicatrizador é guiar a cicatrização inicial do perfil de emergência da gengiva marginal, promovendo desta forma, a adaptação dos componentes protéticos (Misch, 2008).
Sistemas de Conexão
Do ponto de vista reabilitador os sistemas de conexão e retenção para próteses são de grande importância e a escolha inadequada pode ser um fator que pode levar à perda da ósseo-integração, e podem influenciar no tratamento reabilitador devido a sua interação com fatores mecânicos (fraturas/afrouxamento dos componentes), importantes na manutenção protética e biológicos (desadaptação dos componentes e colonização bacteriana), para prevervação de osso marginal. São divididos em conexões externas (hexágono externo) e internas (hexágono interno e cône morse) (PELLIZZER, 2016).
Hexágono Externo
Foram os primeiros a serem utilizados e atualmente são padronizados e muito utilizados. Dependendo do planejamento realizado, podem ser indicados para qualquer tipo de tratamento com prótese sobre implantes, contudo pode não ser a melhor opção para todos os casos. São bem indicadas para próteses múltiplas, por serem apropriados para instalação de 2 estágios cirúrgicos (implante tardio), além da maior compatibilidade e padronização dos componentes em relação aos outros sistemas, que acabam por restringir ao uso de componentes do mesmo fabricante do implante. Entre as complicações evidenciadas na literatura com a conexão hexagonal externa, estão os mirogaps, que é uma desadaptação marginal na interface implante-prótese que se localiza na região cervical do tecido ósseo. Esse microgap pode favorecer a colonização de bactérias acelerando o processo de perda óssea marginal. Altos torques no momento cirúrgico pode causar dano ao hexágono e impossibilidade de utilização de componentes rotacionais (PELLIZZER, 2016; ROCHA, 2013).
Hexágono Interno
A configuração geométrica é a de um hexágono com assentamento da prótese interno ao implante. Essa conexão mais profunda e com maior contato do intermediário (pilar) com as paredes interna do implante, favorece o imbricamento mecânico e parece diminuir a possibilidade de micromovimentação durante a carga, o que causa menor estresse ao parafuso de retenção e diminui dessa forma, a possibilidade de afrouxamento ou fratura do parafuso. Além disso apresenta um selamento na interface implante/componente mais eficiente do que implantes do tipo hexágono externo. É mehor indicado nos casos de implantes unitários. Como desvantagem apresenta fina espessura das paredes laterais internas, que pode afetar a resistência mecânica e levar a fratura (PELLIZZER, 2016; ROCHA, 2013).
Cone Morse
O sistema cone morse possui um mecanismo de encaixe cônico entre a interface do componente e do implante que garante um travamento adequado e estável, sem necessitar de mecanismo rotacional, além disso contribui com o selamento bacteriano, devido a redução do microgap entre o implante e o intermediário/abutment. É indicado que a instação seja a nível infra-ósseo (2 mm), favorecendo dessa forma a redução de tensões sobre o osso cortical e assim pode diminuir o nível de reabsorção do osso marginal. Outra característica é que permite uma maior formação e preservação dos tecidos moles peri-implantares ao redor do intermediário/abutment. É bem indicado em regiões estéticas unitárias cimentadas. Contudo, possui custo mais elevado e pouca compatibilidade, devido ao grau de conicidade que varia entre os fabricantes(PELLIZZER, 2016).
Referências
MISCH, Carl E. Implantes Dentais Contemporâneos. Ed Santos, 3ª. Ed - 2008 ROCHA, Paulo, Vicente. Todos os Passos da Prótese sobre Implantes, do planejamento ao controle posterior. São Paulo: Editora Napoleão, 2013. PELLIZZER, Eduardo Piza; KIMPARA, Estevão Tomomitsu; MIYASHITA, Eduardo; Prótese sobre Implante Baseado em Evidências Científicas. São Paulo: Editora Napoleão, 2016. BLOCK, S. Michael; Atlas Cirúrgico na Implantodontia. São Paulo: Editora Elsevier, 3º ed., 2012
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ABNT NBR 6023
Como citar este artigo
ODONTOLOGISTAS. Componentes Protéticos para Implantes. Odontologistas, 22 set. 2018. Disponível em: https://odontologistas.com.br/componentes-proteticos-para-implantes/. Acesso em: 15 out. 2026.